11/06/08 - FITERT quer PL 29 seja debatido na Conferência Nacional de Comunicação




A Direção da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Radio e Televisão (FITERT) como outras entidades manifesta opinião contrária à votação imediata do Projeto de Lei nº 29, de autoria do deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), que trata parcialmente da regulamentação do setor de TV por assinatura e audiovisual no Brasil. A FITERT quer que o assunto seja objeto de uma profunda reflexão sobre os seus efeitos na comunicação social brasileira, mediante democratização do debate envolvendo maior número de setores da sociedade.
No texto original do projeto e,em muitos aspectos,no substitutivo proposto pelo Jorge Bittar Deputado do Estado do Rio de Janeiro pelo PT, deixa bem claro que as portas ficaram abertas para o oligopólio estrangeiro das teles e desnacionalizando ainda mais o setor.
Por isso, estamos solidários com os movimentos sociais que apontam para a necessidade urgente da convocação de uma Conferência Nacional de Comunicação, nos moldes daquelas já realizadas (Educação,cultura,saúde,cidades ,juventude),a fim de garantir o mais amplo debate e respaldar as ações de governo, especialmente quando tiver que enfrentar a antidemocrática e predatória expansão dos oligopólios privados.
A inevitável convergência tecnológica (digitalização, internet etc) exige posicionamentos urgentes, já que o Congresso Nacional vem sendo pressionado a tomar decisões fundamentais para o futuro da democracia nacional. Só a participação da sociedade será capaz de pavimentar o caminho seguro para a democratização dos meios de comunicação no Brasil, garantindo espaço para as entidades populares e novos atores nas TVs públicas e comunitárias. Não devemos discutir o PL 29 isolado do debate sobre o novo marco regulatório do setor, cuja democratização passa, necessariamente, por maior e efetivo controle social.
Consideramos que a instituição da cota de 10% para a produção audiovisual nacional, além de insuficiente, não poderá superar a atual realidade da programação na TV por assinatura, excessivamente ocupada por produtos estrangeiros de qualidade duvidosa.
Por tudo isso, somos contra a votação do PL 29 na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, da Câmara dos Deputados. Defendemos que o assunto seja remetido para a Conferência Nacional de Comunicação, a ser convocada pelo Governo Federal, com ampla participação da sociedade brasileira.


São Paulo, 11 de junho de 2008.
Diretoria colegiada da FITERT