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Alexandre Mandl
Alexandre Mandl
Alexandre Mandl é advogado constituído nos autos. É membro do coletivo jurídico do MNRC e da RENAP (Rede Nacional de Advogados(as) Populares). É especialista em Direito Constitucional pela Puc-Campinas. É membro da Esquerda Marxista, tendência brasileira da Corrente Marxista Internacional.


Altamiro Borges
Altamiro Borges
Jornalista, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, militante do PCdoB e autor do livro "A ditadura da mídia"
Antônio Augusto Queiroz
Antônio Augusto Queiroz
Jornalista, analista político e Diretor de Documentação do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar).
Douglas Belchior
Douglas Belchior
historiador e integrante da Uneafro Brasil (União de Núcleos de Educação Popular para Negros, Negras e Classe Trabalhadora).
FITERT
FITERT
Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão
Jacy Afonso de Melo
Jacy Afonso de Melo
Bancário, é Secretário de Organização da CUT Nacional.
Jorge Luiz Souto Maior
Jorge Luiz Souto Maior
juiz do Trabalho e professor da Faculdade de Direito da USP.
Juliana Almeida
Juliana Almeida
Radialista e jornalista
Manoel Vicente dos Santos 'Kid Noel'
Manoel Vicente dos Santos 'Kid Noel'
Radialista, jornalista, secretário de Imprensa da FITERT e professor de História formado pela UFMS.
Nicola Manna Piraino
Nicola Manna Piraino
Advogado do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e da FITERT
Rosane Berttoti
Rosane Berttoti
Secretária de Comunicação da CUT Nacional e coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação.
Sally Burch
Sally Burch
jornalista da Alai (Agência Latinoamericana de Informação)
www.alainet.org

Vilson Vieira Jr.
Vilson Vieira Jr.
Jornalista, associado ao Coletivo Intervozes e mestrando em Ciências Sociais na
10/05/2013
O radiodocumentário: criando imagens através do som
por: Juliana Almeida
Já diz um professor do curso de radialismo da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Sebastião Figueiredo, que o rádio é ‘teatro para cegos’. Isso é uma grande verdade! A linguagem radiofônica possui especificidades que exigem de quem está do lado de cá do microfone determinadas aptidões e técnicas para que a notícia seja bem entendida. Mais do que se ler uma notícia no rádio é preciso contar uma história e isso exige interpretação e utilização de recursos técnicos que auxiliem a compreensão da mensagem. O radiodocumentário, pode-se assim dizer, é a forma mais complexa de produção radiofônica porque exige do profissional uma apuração profunda dos fatos e uma sensibilidade técnica para utilizar os recursos sonoros adequados ao assunto que profundamente se quer explorar.
Quando fiz o documentário “Catadoras de mangaba de Sergipe: como o associativismo pode garantir o sustento de uma comunidade extrativista”, vencedor do prêmio nacional de jornalismo do Sebrae 2012, na categoria radiojornalismo, muito mais de que coletar entrevistas e encaixá-las no texto, foi um grande desafio trazer para o rádio um universo que envolve a cultura da mangaba no Estado. O objetivo era não simplesmente retratar o trabalho dessas mulheres mas como a valorização do trabalho delas trouxe cidadania e elevou a autoestima. É importante também frisar que a mangaba faz parte da cultura dessas mulheres e existe todo um universo ligado ao patrimônio imaterial que é passado de geração para geração através dos cânticos populares.
A mangaba é, por decreto, símbolo do estado de Sergipe. Elas vendiam o fruto in natura, de forma individual, e uniram forças para ampliar a renda ao fundar a Associação das Catadoras de Mangaba e Indiaroba (Ascamai). As catadoras também fizeram do movimento um front de luta pela preservação das mangabeiras que estão sendo reduzidas na região por causa da expansão imobiliária, da monocultura e do veneno derramado pelos tanques de criação de camarões. Elas lutam pela criação de uma reserva extrativista que possibilite a preservação da mangabeira e da tradicional cata do fruto.
Procurei na matéria relatar as vitórias alcançadas pela Ascamai, com o projeto “Catadoras de Mangaba, gerando renda e tecendo vidas em Sergipe”, patrocinado pela Petrobras e desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Sergipe e Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional. Por meio do projeto financiado pela Petrobras participaram de um vídeo-documentário sobre a vida delas e gravaram um CD com as cantigas que suas avós e mães cantavam enquanto catavam o fruto da mangabeira. A reportagem termina com trechos do canto das catadoras: “Vamos catar mangaba, vamos encapotar, o galho da mangabeira onde eu vou me balançar...”
O radiodocumentário me possibilitou explorar esse universo tão rico e, acima de tudo, ter a oportunidade de dar visibilidade a uma comunidade muito carente, com a liberdade do rádio e os seus recursos que permitem o ouvinte ‘mergulhar’ no universo da história contada.

Ouça aqui.
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