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Alexandre Mandl
Alexandre Mandl
Alexandre Mandl é advogado constituído nos autos. É membro do coletivo jurídico do MNRC e da RENAP (Rede Nacional de Advogados(as) Populares). É especialista em Direito Constitucional pela Puc-Campinas. É membro da Esquerda Marxista, tendência brasileira da Corrente Marxista Internacional.


Altamiro Borges
Altamiro Borges
Jornalista, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, militante do PCdoB e autor do livro "A ditadura da mídia"
Antônio Augusto Queiroz
Antônio Augusto Queiroz
Jornalista, analista político e Diretor de Documentação do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar).
Douglas Belchior
Douglas Belchior
historiador e integrante da Uneafro Brasil (União de Núcleos de Educação Popular para Negros, Negras e Classe Trabalhadora).
FITERT
FITERT
Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão
Jacy Afonso de Melo
Jacy Afonso de Melo
Bancário, é Secretário de Organização da CUT Nacional.
Jorge Luiz Souto Maior
Jorge Luiz Souto Maior
juiz do Trabalho e professor da Faculdade de Direito da USP.
Juliana Almeida
Juliana Almeida
Radialista e jornalista
Manoel Vicente dos Santos 'Kid Noel'
Manoel Vicente dos Santos 'Kid Noel'
Radialista, jornalista, secretário de Imprensa da FITERT e professor de História formado pela UFMS.
Nicola Manna Piraino
Nicola Manna Piraino
Advogado do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro e da FITERT
Rosane Berttoti
Rosane Berttoti
Secretária de Comunicação da CUT Nacional e coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação.
Sally Burch
Sally Burch
jornalista da Alai (Agência Latinoamericana de Informação)
www.alainet.org

Vilson Vieira Jr.
Vilson Vieira Jr.
Jornalista, associado ao Coletivo Intervozes e mestrando em Ciências Sociais na
03/08/2015
Jornal O Globo ataca sindicalismo brasileiro, que precisa se reinventar
por: Douglas Belchior
NOTA DA SECRETARIA DE IMPRENSA DA FITERT: O blogueiro Douglas Belchior, cujo blog é hospedado no site da revista Carta Capital, publicou no dia 27 de julho um artigo analisando a campanha da mídia contra a organização sindical dos trabalhadores brasileiros. A FITERT reproduz em seu site o artigo porque compartilha com Douglas a opinião de que o que a mídia quer é "desqualificar os instrumentos de luta da classe trabalhadora brasileira" para facilitar a implementação dos ataques do capital aos direitos trabalhistas. Leia abaixo a íntegra do artigo.

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Em tempos de acirramento e disputas político-ideológicas como há muito não se via, os grandes meios de comunicação buscam, como é de praxe, construir narrativas no sentido de cada vez mais deslegitimar e desqualificar os instrumentos de luta da classe trabalhadora brasileira.

O Jornal O GLOBO, do Rio de Janeiro, emplacou na última semana uma série de matérias em que aborda a realidade dos sindicatos no país e explicita problemas de representatividade, corrupção e prática de direções sindicais que se eternizam no poder. Evidente que, sob encomenda, tal produção serve de munição para os ataques da direita histórica, bem como já o fez Rodrigo Constantino em sua coluna na Veja.

É verdade que há problemas. E sérios. A proliferação de sindicatos e centrais ao bel prazer dos interesses de grupos políticos oportunistas fez da prática sindical balcão de negócios. No entanto, não podemos permitir que práticas equivocadas de setores do sindicalismo sejam apontadas como regra e que generalizações desconstruam ainda mais no imaginário coletivo o papel fundamental dos sindicatos na luta do povo trabalhador. Os sindicatos são importantes e necessários. E precisam ser fortalecidos.

Lembro aqui a concepção sindical de Gramsci, onde se defende que os sindicatos devem atuar como educadores coletivos da classe para sua emancipação e para a disputa da hegemonia na luta contra o capital e suas ideologias. Para que isso aconteça, obviamente é necessário que as direções sindicais se renovem, se atualizem e estejam antenadas com as lutas e os problemas que afetam toda a sociedade e não apenas o microcosmo de sua categoria profissional.

As lutas por salário e emprego são fundamentais, mas a ação sindical precisa se ampliar, afinal, reduzir seu papel a reivindicações corporativas acaba por limitar a ação apenas ao enfrentamento dos efeitos e não das causas da exploração.

Para isso o investimento em formação é fundamental, pois aí está o potencial de alimentar a ação política dos dirigentes, militantes e trabalhadores sindicalizados.

Um bom exemplo é a experiência do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (SMetal), filiado à CUT, que tem apostado em renovação, formação e fortalecimento de sua representatividade, através dos Comitês Sindicais de Empresa (CSE).

Segundo Editorial do Jornal Smetal, a atual gestão renovou em mais de 60% a composição de sua direção executiva e a direção geral se ampliou 115 para 136 dirigentes, sendo que destes, quase 30% são de jovens, maioria em primeiro mandato.

O rejuvenescimento da categoria metalúrgica na região promoveu reflexos imediatos na configuração da direção sindical, que por sua vez se permitiu renovar. Ainda é cedo para avaliar os resultados dessa experiência, mas o fato é que as iniciativas promovidas por esse grupo tem atraído setores até então distantes do sindicato, ou seja, na prática é o sindicato investindo no diálogo e na construção política junto à nova configuração da categoria, hoje muito mais antenada com questões gerais, para além da política, também sociais e culturais.

Outro exemplo de ação sindical a partir da concepção de luta geral e de seu papel educador e mobilizador dos trabalhadores é a iniciativa conjunta do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e do Sindicato dos Bancários de São Paulo, que juntos mantém a Rede TVT – TV dos Trabalhadores e a Rede Brasil Atual.

A Rede TVT, a única emissora de televisão brasileira sob coordenação dos trabalhadores, ampliou seu alcance a partir do lançamento da TVT Digital. Antes restrito a 400 mil pessoas, ela já pode ser vista por 20 milhões de habitantes em toda grande São Paulo.

Já a Rede Brasil Atual reúne jornal impresso, revista semanal e Rádio, tanto na web quanto nos 98.9 FM. Ambas iniciativas decorrem da ideia de que é preciso atuar na sociedade e dialogar não apenas com sua categoria, mas com todos os demais trabalhadores, famílias, donas de casa, desempregados, juventude, negros, mulheres, LGBT’s, sempre com o intuito de fomentar valores democráticos e de defender direitos sociais, políticos e humanos.

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC também dá um exemplo importante ao apoiar iniciativas culturais periféricas, através do Sarau Engrenagem Poética. Nesse espaço, trabalhadores da categoria se misturam aos artistas periféricos e tem contato com a arte engajada e comprometida com transformações reais na sociedade.

O sindicalismo brasileiro enfrenta problemas e dificuldades, tal como enfrentam todas as demais instituições representativas como partidos, igrejas e organizações políticas diversas. O momento exige atenção em relação à orientação político-ideológica, organização e formas de intervenção. Isso tudo ao mesmo tempo em que é necessário enfrentar o avanço conservador que busca desregulamentar, enfraquecer e até eliminar direitos históricos dos trabalhadores. Será preciso, como dizem, “trocar o pneu com o carro em movimento”. Ao que se percebe, ao menos por parte do sindicalismo sério e conseqüente, o desafio está aceito.

E que fique registrado ao jornal O Globo e correlatas: jogar no lixo a história do sindicalismo brasileiro ou desqualificá-lo com generalizações baratas, jamais!

Artigo publicado originalmente no Blog Negro Belchior.
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