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28/01/2016
Coletivo de mulheres da EBC aponta machismo e racismo na empresa
O Coletivo de Mulheres da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) divulgou no último dia 22 em sua página no Facebook uma nota cobrando equidade na programação e na estrutura de funcionamento da empresa. O documento aponta os fatos da EBC ter diversos programas em que nenhuma mulher tem participação frente às câmeras, desigualdade na cobertura de eventos esportivos masculinos e femininos (em prejuízo destes últimos), desequilíbrio de gênero nos cargos de chefia, e sexismo na programação da emissora pública (o que reproduz o padrão comum e criticado pelas organizações feministas e de direitos humanos nas concessões de radiodifusão exploradas comercialmente).

Criada em 2014, a página do Coletivo no Facebook traz outras denúncias de episódios machismo e lesbofobia
, inclusive informando que já foram relatadas em reuniões com os gestores. E destaca também a necessidade de combater o racismo institucional dentro da empresa. Na página está disponível ainda denúncia de assédio sexual feita por uma funcionária.

Também em 2014 a EBC criou um Comitê pró-Equidade de Gênero, mas as trabalhadoras ressaltam em diversas publicações que é preciso dar efetividade às políticas antidiscriminatórias na empresa.

Em meio à preparação do 2º Encontro Internacional de Gênero da Fitert, a entidade se solidariza às trabalhadoras da EBC na luta contra o machismo, o racismo, a homofobia e todas as formas de preconceito.

Leia abaixo a íntegra da nota do Coletivo de Mulheres da EBC.


NÓS VAMOS FAZER UM ESCÂNDALO - Por mais equidade nos programas e na estrutura da EBC

Preocupadas com poucos avanços realizados em favor da igualdade de oportunidades entre mulheres e homens na Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e com ameaças de alguns retrocessos, o Coletivo de Mulheres da EBC alerta à nova diretoria para que promova ações efetivas de promoção da diversidade e da pluralidade em sua estrutura institucional e em seus produtos de comunicação, enfrentando a lesbofobia, o assédio sexual e moral e eliminando todas as barreiras que impedem o desenvolvimento profissional das funcionárias.

Apesar de inúmeras campanhas deste coletivo e recomendações do Conselho Curador, a EBC continua exibindo programas sem NENHUMA apresentadora, entrevistadora ou entrevistada. O problema é recorrente no Brasilianas, apresentado pelo jornalista Luís Nassiff, e no Mundo da Bola, embora a invisibilidade de mulheres, nas bancadas ou como convidadas, seja inadmissível na comunicação pública.

Na última semana, o Brasilianas, que é gravado na maior cidade do país, foi ao ar com SEIS homens. Já o Mundo da Bola segue com três comentaristas homens fixos, e contando com a participação eventual de outro, o ex-coordenador do setor de Esporte, que já não é sequer funcionário da casa. Com esta opção, o programa pretere funcionárias da casa, com experiência na cobertura de Esportes.

Lembramos que a TV Brasil se comprometeu a transmitir o Campeonato Brasileiro Feminino, e reiteramos o pedido que foi feito por este coletivo durante a Copa do Mundo de Futebol Feminino no Canadá em 2015 para que tenhamos ao menos uma comentarista na bancada. Considerando que os jogos são no Brasil, acreditamos que temos condições de colocar repórteres mulheres também no gramado acompanhando os jogos. É preciso ainda que a cobertura do futebol feminino tenha tanta visibilidade quanto a do masculino, por meio da integração da TV, com a Agência, o Portal e as rádios, o que não se verificou durante a Copa do Mundo.

Reforçamos ainda que o programa precisa superar a cultura racista que afasta apresentadores e apresentadoras negras dos programas de televisão, apresentando também diversidade racial.

Outro destaque da programação televisiva, o programa Espaço Público, já foi duramente criticado pelo Conselho Curador por não integrar mulheres de maneira permanente. No episódio de 07/12/2015 ainda restou claro o despreparo do apresentador Paulo Moreira Leite para abordar temas relacionados ao feminismo, culminando em um tratamento desrespeitoso à filósofa Marcia Tiburi, que foi interrompida sistematicamente, por intervenções ofensivas e ignorantes. Até onde sabemos não existe nenhum programa jornalístico na EBC, seja nas rádios ou na televisão, apresentado somente por mulheres, no qual a participação de entrevistadores homens seja eventual.

Já na Rádio Nacional do Rio, chamamos a atenção para a reestreia do programa jornalístico Tema Livre que, reformulado, agora conta com outro apresentador homem, funcionário da casa cuja competência não está sendo questionada. A escolha feita por razões subjetivas, sem Processo de Seleção Interna, acabou acentuando a falta de oportunidades para as mulheres nas rádios, apesar de serem maioria na equipe de reportagem. A disparidade se verifica ainda no principal noticiário, o Repórter Rio, também reformulado e alçado a destaque da nova programação, que é apresentado por duas vozes masculinas.

Em relação aos Processo de Seleção Interna, manifestamos preocupação com a aprovação desproporcional de homens em relação às mulheres da EBC, de maneira geral. No momento, a EBC possui 38% dos cargos comissionados ocupados por mulheres contra 62% de homens. Com uma seleção em curso para a Suadi/PortalEBC, pedimos sensibilidade para que seja considerado o equilíbrio de gênero, como foi feito de maneira acertada, em um esforço que devemos reconhecer, no processo que escolheu correspondentes da Agência Brasil.

Em São Paulo, a preocupação é com a postura demonstrada pelo apresentador de quadros de esporte, que aparenta ter dificuldade para se relacionar de maneira respeitosa com as funcionárias da casa. Uma denúncia contra este funcionário contratado, já foi encaminhada à Comissão de Ética, a quem pedimos sensibilidade e diligência.

Reivindicamos também que a direção do FIQUE LIGADO seja capacitada para questões de gênero e raça, já que, com frequência, temas constrangedores e despropositados sejam abordados, a exemplo do episódio apresentado em 03/12/2015, que anunciou a última capa da Playboy americana. O conteúdo de entretenimento da EBC não deve fugir à lógica do interesse público e, de jeito nenhum, reforçar a imagem da mulher como objeto sexual.

Por fim, registramos que o Coletivo de Mulheres conta com a contínua colaboração do Comitê Pró-Equidade da EBC para avançar nos pontos mencionados e com o papel de liderança do presidente da empresa, Américo Martins.



Fonte: Da redação.
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